quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A valorização da agricultura familiar e a reivindicação da ruralidade no Brasil

Maria de N. B. WANDERLEY

Dois fatos de grande importância marcaram as transformações recentes do mundo rural brasileiro. De um lado pela primeira vez na história, a agricultura familiar foi reconhecida oficialmente como um ator social. Anteriormente eram vistos como os pobres do campo. produtores de baixa renda ou pequenos agricultores.
Hoje os agricultores familiares são percebidos como sendo portadores de uma outra concepção de agricultura, diferente e alternativa à agricultura latifundiária e patronal dominante no país.
O Programa de Apoio à Agricultura Familiar (PRONAF). estabelecido no Brasil durante os anos 90 apesar de todas as limitações impostas a sua adoção efetiva. constitui uma expressão dessa mudança. Por outro lado a forte e efetiva demanda por terra realizada pelos movimentos sociais rurais, fez surgir na reforma agrária um setor de assentamentos. Uma das principais conseqüências desses dois fatos é a revalorização do meio rural. percebido como espaço de trabalho e de vida. Isso encontra expressão na demanda pela permanência na zona rural ou retomo à terra. Essa "ruralidade" da agricultura familiar que povoa o campo e anima a vida social opõe-se ao absenteísmo praticado pela agricultura latifundiária que esvazia e depreda o meio rural. Essa nova "ruralidade" opõe-se ao mesmo tempo à visão centralizada na urbanização dominante na sociedade e à percepção de um meio rural sem agricultores.